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by Indianara 2 years, 10 months ago
DOSSIÊ DE INCLUSÃO
UNIDADE 1
Bem, minha primeira experiência com inclusão veio de no ano de 2002, quando chegou numa das escolas em que trabalho, um aluno com Síndrome de Down.
G, como irei chamá-lo, era um menino extremamente agitado, agressivo e seu histórico escolar era perturbador: nem escola particular o aceitou! Como atender a este menino, sendo que escola nenhuma o aceitava?
Este menino foi para o Jardim, e uma colega minha é que teve ele como aluno.
Meu primeiro contato com G, se é que dá para chamar de contato, foi num recreio em que eu estava cuidando dos alunos. G já tinha fama de fugir das escolas e de subir em árvores...pois não é que ele resolveu subir no alto de uma árvore que havia no pátio? Com minha 'sabedoria' professoresca, chamei gentilmente o aluno, por várias vezes, e ele nem sequer olhou para mim. Daqui a pouco chega a professora dele e dá aquele xingão: "G!! Desce já daí!!", e ele, na hora, começou a descer da árvore!
Conclusão, eu fiquei pasma! No meu entendimento, como era um aluno com 'deficiência', ele não entendia direito das coisas que a gente falava...mero engano, tanto entendia, como era muito mais esperto do que a gente previa!
Este fato pode ser um exemplo de que os outros veem as pessoas com necessidades especiais já com pré-conceitos de que elas não podem, não sabem e não vão aprender, o que está totalmente errado. Devemos acreditar no ser humano, independente de sua condição física e, porque não, mental.
O aluno G teve sempre a presença constante dos pais, apesar destes serem separados. A mãe o levava à escola e o pai o buscava. G ficava muito agressivo quando a mãe saía de viagem, muitas vezes ela precisava ir à China a negócios e ele ficava com o pai, que ao meu ver, não tinha muita paciência com o menino.
Quando G chegou no seu primeiro ano na escola, nem se falava ou cogitava ter alguém que auxiliasse a professora. Quanto à adaptação curricular, G teve os mesmos direitos e as mesmas atividades para desenvolver que os seus demais colegas, porém as professoras sempre tiveram uma visão diferenciada ao avaliá-lo, sendo que ele tem um ritmo mais lento de aprendizagem que os alunos ditos normais. Sempre que há o Conselho de Classe, G é mencionado e os professores relatam o seu progresso, que como havia mencionado, já não sobe mais em árvores, não foge mais da escola, controla mais sua impetuosidade e sua agressividade e é um aluno alfabetizado.
Conversando com as professoras que já deram atendimento ao G, relatam que os pais disseram que esta foi a única escola que recebeu G de braços abertos! É muito bom saber que tanto o filho, quanto os pais gostam da escola e veem a escola como um lugar confiável!
UNIDADE 2
Na cidade de Sapiranga, hoje há muitos projetos em que os alunos com necessidades educacionais especiais estão inseridas. Algumas delas são a APAE, o NAE,Cantando as diferenças e o Teatro.
Numa das escolas em que dou aula, existem uns quatro alunos com necessidades especiais: dois com Síndrome de Down, um aluno que já está na 5ª série e outro que não se relacionava com ninguém no começo do ano de 2008 e que hoje conversa com todos; uma aluna com paralisia cerebral parcial, com o uso de cadeira de rodas; um aluno da 7ª série com problemas de psicomotricidade (este aluno foi atropelado na RS239 aos 5 anos e esteve em coma por 3 meses) e que adora jogar futebol, este aluno, além de ir à escola, vai na AACD, em Porto Alegre, para exames e fisioterapia.
UNIDADE 3
A)Serviços Especializados:a Secretaria da Educação do Município de Sapiranga está refazendo estes levantamentos, inclusive do número de alunos atendidos por estes serviços, por isso esta atividade não pode ser realizada no momento...
Número de alunos atendidos:--
B)Estudo de Caso: Estudarei o caso de um aluno com Síndrome de Down na escola em que dou aula à tarde.
É um menino do 2º ano, com 10 anos. Já foi feito a realização do documento autorizando o uso de registros e imagens deste aluno, pelos responsáveis.
UNIDADE 4
O sujeito de minha pesquisa é Júnior, um menino com Síndrome de Down.
Júnior mora próximo da escola em que estuda à tarde. Pela manhã fica em casa com sua mãe, que dedica seu dia-a-dia a ele. O pai trabalhava como eletricista, mas atualmente trabalha em um posto de gasolina.
Júnior tem uma irmã mais velha, que não tem Necessidades Especiais.
Esta família é de classe média baixa, possuíndo casa e carro próprio.
Júnior não consegue acompanhar a turminha dele, mas é um grande observador. Ele 'escreve' no seu caderno a data, por exemplo, e mostra à professora.
É um menino calmo, gosta de 'ler' os livrinhos na hora da leitura e na Educação Física é bem ativo!
UNIDADE 5
História de Vida do Aluno
Ao nascer, os pais de Júnior, até então, não sabiam que ele tinha Síndrome de Down. Assim, a mãe de Júnior parou de trabalhar para se dedicar exclusivamente a ele.
O menino ia na APAE desde os 4 meses de idade e no momento de ir para a creche a mãe de Júnior relutou com a idéia, com medo da discriminação.
Ele então começou meio turno na Creche e mais tarde ele ingressou na escola, em que está atualmente e onde se integrou rapidamente por já conhecer alguns colegas que eram seus na creche.
Júnior nasceu com um problema no coração e fez uma cirurgia para corrigir o problema. Ele é atendido semanalmente por otorrinolaringologista, endocrinologista, neurologista e pediatra, na PUC. Tem atendimentos todas as segundas e quintas-feiras no NAE (Núcleo de Atendimento ao Educando) com atendimento fonoaudiólogo, terapêutico ocupacional, psicomotor e psicopedagógico.
Na escola, Júnior conta com o auxílio da professora de 2º ano e uma professora de Educação Física e Filosofia, que atende a turma uma vez por semana.
UNIDADE 6
Comportamentos observáveis na escola
No NAE, Júnior tem um bom relacionamento com os colegas e interage com eles nas brincadeiras. Gosta de deitar-se no tapete e brincar com os bonecos. Já reconhece as letras do seu nome.
Quando lhe é oferecido materiais pedagógicos para realizar algum trabalho, como massa de modelar, por exemplo, os guarda na mochila.
As atividades com música são as suas favoritas.
Consegue estabelecer vínculos de amizade. Os colegas gostam de convidá-lo para brincar.
Demonstra interesse em conhecer coisas novas.
Gosta de olhar livros e montar jogos educativos.
Tem um ótimo relacionamento com professores e funcionários, com respeito e cordialidade.
Os pais estão sempre acompanhando seu cotidiano escolar, princpalmente a sua mãe, que está sempre disponível para atendê-lo no que ele e a escola precisar.
UNIDADE 7

Avaliação
As idéias dos textos lidos e o estudo de caso aqui relatado nestas semanas, foi de que precisa-se primeiramente observar e conhecer a pessoa com necessidades especiais intimamente, minunciosamente, pois muitas vezes a escola não entende o sujeito por não conhecê-lo. Sem saber do seu histórico escolar e de vida fica difícil compreender quais são as suas necessidades. Assim foi com Júnior...veio sem falar com os colegas e professora, gesticulava muito e era agressivo em diversas ocasiões. Aos poucos pode-se compreendê-lo até ao ponto de fazer-se entender e atender as suas necessidades na escola.
Júnior tem a mesma professora desde o ano passado, portanto a professora já o observa e interage com ele há algum tempo. O parecer descritivo é feito a medida em que o aluno demonstra uma atitude antes interiorizada, ou seja, o desenvolvimento dele como sujeito. É um parecer diferenciado, sendo que o aprendizado dele é mais lento que dos demais, levando a professora a ter uma flexibilidade quanto aos conteúdos. A professora de Educação Física também o observa bastante nas atividades do pátio, relatando-me a habilidade, o equilíbrio dele com os "pés-de-lata", por exemplo.
A avaliação realizada pelos profissionais visitados por ele no NAE, na PUC, dão conta das possibilidades e competências do aluno. Porém na escola, penso que ele poderia ser melhor assistido, pois precisaria de uma pessoa especializada dentro de sala de aula para auxiliar a professora no desenvolvimento cognitivo do Júnior, pois o número de alunos dentro de sala de aula é elevado, prejudicando um maior atendimento individual a ele.
Via Júnior pelos corredores da escola, no pátio ou no refeitório. Mexia com ele, às vezes, dando-lhe "oi", mas era só. Nunca me interessei de fato pela pessoa que ali se encontrava, para mim era mais um aluno na escola com Síndrome de Down!
Eu realmente não conhecia o Júnior e sua família, esta família que lutou por ele e continua indo em busca de ajuda para que o aluno seja feliz. Para quem tem filhos sabe do que estou falando, não importa quais são as suas deficiências, o importante é que nosso filho seja feliz. Pude compreender isso ao entrevistar a mãe de Júnior, quando falou-me das dificuldades em criá-lo, dos olhares dos estranhos, da discriminação.
Júnior é um menino meigo, alegre, brincalhão. Tem suas dificuldades e deficiências como cada um de nós temos as nossas, mesmo assim, ao terminar esta tarefa me pergunto o que mais posso fazer para que Júnior tenha um maior desenvolvimento cognitivo e pessoal? Ficou o trabalho, mas restará o sujeito que ainda precisa da minha ajuda como ser humano!
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Comments (5)
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:12 pm on Apr 8, 2009
Indianara, com certeza devemos trata-los normalmente, são muito expertos e muitos deles de aproveitam do tratamento diferenciado, mas cada caso é um caso.
Abraços
Maria del Carmen
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:44 pm on Apr 20, 2009
Indianara, acredtio que o relato escrito com cor verde seja a segunda parte do dossiê, sugiro que enumeres as atividades para termos melhor acesso a elas. A segunda atividade pede que busquem informações sobre suas escolas e redes de ensino onde trabalham, indicando se identificam a presença de alunos com deficiência ou necessidades educativas especiais nessas instituições. Elaborem um texto no qual vocês apresentarão os dados de uma escola específica, indicando total de alunos e docentes, etapas de escolarização, alunos da educação especial presentes (quais? quantos? com que tipo de atendimento?). Elabore um comentário que integre a realidade descrita e os pontos centrais que identifica nos textos lidos.
Abraços
Maria del Carmen
liliana said
at 9:05 pm on Apr 22, 2009
Indi
como foi o processo de G? tens mais dados para complementar? seria interessante acrescentares algumas informações a mais, por exemplo se teve algum tipo de adaptação curricular, se a escola promoveu algum tipo de grupo de estudo, se houve planejamento de ações entre os diferentes professionais (escola, médicos, psicologos) se a familia participava ativamente,...o que mais poderias nos contar?
lili
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:40 pm on May 30, 2009
Olá, Indianara, podes conversar com as tuas colegas sobre os dados de Sapiranga, muitas delas ja postaram. Na unidade 4, poderias falar mais sobre o Junior, como se comporta em sala de aula?, tem problemas para acompanhar a turma?, interage com os colegas e professores?, realiza as atividades propostas?.
Abraços
Maria del Carmen
liliana said
at 10:10 pm on Jun 24, 2009
Oi Indi
estas indo bem com o dossiê mas falta agora a parte proposta na unidade 6 e 7. Sobre a historia de vida do aluno, ele teve algum atendimento precoce na APAe?
abraços
liliana
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